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Ser Perfeito Cansa

  • Foto do escritor: Daniela Devides
    Daniela Devides
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

A Imperfeição e o Segredo da Felicidade 



Vejo com frequência como a busca incessante por um ideal de "ser sempre melhor" pode, paradoxalmente, nos afastar da própria felicidade que tanto almejamos. É uma ironia cruel, mas real: o perfeccionismo, muitas vezes disfarçado de virtude, tem o poder de nos roubar a leveza e a autenticidade da vida.


Em nossa sociedade, somos constantemente impulsionados a buscar a excelência, a não cometer erros, a sermos impecáveis em todas as áreas. O problema surge quando essa busca saudável pela melhoria se transforma em uma autocobrança implacável, onde qualquer resultado abaixo do impecável é interpretado como um fracasso pessoal. O perfeccionista não busca a melhoria; ele busca a inexistência de falhas, um patamar inatingível que o aprisiona em um ciclo de insatisfação contínua. Essa mente, focada unicamente na ausência de erros, vive em constante estado de alerta, incapaz de desfrutar das pequenas vitórias ou de aprender com os desvios de rota. 


A Psicologia Positiva nos ensina que a felicidade genuína não reside na perfeição, mas na capacidade de cultivar emoções positivas, engajamento, relacionamentos significativos, sentido e realização, mesmo diante das adversidades. O Perfeccionismo, ao contrário, alimenta a ansiedade e o medo do julgamento, criando uma barreira invisível que nos impede de experimentar plenamente a alegria e a conexão. Neurocientificamente, essa autocobrança excessiva ativa constantemente o sistema de ameaça do cérebro, liberando cortisol e outras substâncias ligadas ao estresse crônico. O resultado é um esgotamento mental e emocional, onde o prazer é suplantado pela tensão e a verdadeira satisfação se torna um horizonte cada vez mais distante. Não há espaço para o florescimento humano quando a mente está em guerra consigo mesma, sempre apontando as falhas e minimizando as conquistas. Querer ser perfeito cansa!


Mas como podemos romper esse ciclo vicioso? A resposta está em abraçar três pilares fundamentais: a autocompaixão, o erro e a vulnerabilidade.


A autocompaixão é a capacidade de nos tratarmos com a mesma gentileza e compreensão que estenderíamos a um amigo querido em dificuldades. Em vez de nos punirmos por não sermos "perfeitos", a autocompaixão nos convida a reconhecer nossa humanidade, aceitando que falhas e imperfeições fazem parte da experiência de vida. Ela não é autocomplacência, mas sim uma força interna que nos permite levantar após uma queda, sem o peso da autocrítica destrutiva.


Em seguida, precisamos ressignificar o erro. Longe de ser um inimigo a ser evitado a todo custo, o erro é um professor valioso. Cada deslize, cada tentativa que não saiu como planejado, contém lições preciosas que impulsionam o aprendizado e o crescimento. Empresas inovadoras e pesquisadores renomados sabem que o fracasso é um componente essencial do processo criativo e do avanço. Permitir-se errar, e mais importante, aprender com esses erros, é libertador e abre caminho para soluções que a mente perfeccionista jamais ousaria explorar.


Finalmente, a vulnerabilidade é a coragem de ser imperfeito. É a capacidade de nos mostrarmos como somos, com nossas falhas e inseguranças, sem a necessidade de uma fachada de perfeição. É na vulnerabilidade que encontramos a verdadeira conexão com os outros, pois é ela que nos torna autênticos e acessíveis. Quando escondemos nossas imperfeições, criamos muros; quando as abraçamos, construímos pontes. A neurociência sugere que a conexão social e o sentimento de pertencimento são potentes ativadores de sistemas de recompensa no cérebro, contribuindo significativamente para nossa felicidade e bem-estar.


Ao permitir que a autocompaixão nos abrace, que o erro nos ensine e que a vulnerabilidade nos conecte, começamos a acabar com as amarras do perfeccionismo. Não se trata de abandonar a busca por sermos melhores, mas de transformar essa busca em um caminho de crescimento contínuo, com aceitação, gentileza e a profunda sabedoria de que a verdadeira beleza e a verdadeira alegria residem justamente em nossa imperfeita e maravilhosa humanidade.


Permita-se errar, aprender e crescer! Permita-se ser imperfeito! É exatamente nessa complexidade e nessa humanidade que encontramos a verdadeira magia de viver! 


Daniela Devides, especialista em Educação Socioemocional 

e Psicologia Positiva, pós-graduada pela PUCRS, escritora, 

palestrante, mantenedora do Colégio Degrau de Araçatuba.



 
 
 

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