ALÉM DA NOTA VERMELHA
- Daniela Devides

- 19 de jan.
- 3 min de leitura
Por Que Errar É Essencial Para um Cérebro Resiliente e Brilhante

Com grande entusiasmo, embarcamos juntos em uma reflexão profunda e transformadora sobre um dos pilares mais mal compreendidos da caminhada do aprendizado: os erros e as notas baixas. Como uma estudiosa, apaixonada por Educação, Psicologia Positiva e Disciplina Positiva, reafirmo que esses momentos não são falhas, mas sim valiosos sinais de trânsito em nosso mapa de desenvolvimento. Eles não definem a criança ou o jovem; ao contrário, revelam caminhos claros para o crescimento, indicando onde o solo fértil da aprendizagem precisa ser mais cultivado.
A neurociência nos oferece uma visão fascinante de como o cérebro processa o erro. Longe de ser um beco sem saída, o momento do engano é, na verdade, um gatilho para a atividade neural intensa. Pesquisas mostram que, quando cometemos um erro, o cérebro ativa regiões específicas, sinalizando que algo precisa ser ajustado. Essa ativação é uma oportunidade de ouro para o aprendizado, pois estimula a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões. É como se o cérebro dissesse: "Atenção! Houve um desvio; vamos encontrar uma nova rota." Sem esses desvios, sem a tentativa e erro, o processo de construção do conhecimento seria muito mais lento e menos eficaz.
A frustração que pode acompanhar o erro, longe de ser negativa, é um estímulo vital para a busca por soluções, para a experimentação de novas estratégias e para a solidificação do aprendizado. Na psicologia do desenvolvimento, a importância da frustração é inegável para a construção da resiliência. Uma frustração bem acompanhada, ou seja, aquela em que a criança ou o jovem se sente apoiado para processar o desconforto e persistir, é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de enfrentar desafios, de não desistir diante das dificuldades e de buscar soluções criativas. Essa experiência modela a autonomia, pois ensina a confiar na própria capacidade de resolver problemas, e melhora o pensamento crítico, incentivando a analisar o que não funcionou e a pensar em alternativas. É nesse espaço de "quase lá" ou "ainda não" que as maiores descobertas sobre si mesmo e sobre o mundo acontecem.
E as notas baixas? Ah, as notas! Elas são, muitas vezes, as mensageiras mais temidas do erro. No entanto, em vez de serem o ponto final de um julgamento, deveriam ser o ponto de partida para conversas construtivas. Uma nota baixa não é um veredito sobre a capacidade da criança, mas um feedback sobre seu processo de aprendizagem em um determinado momento. É uma oportunidade para pais e educadores se sentarem lado a lado com os estudantes, não para repreender, mas para investigar: "O que aconteceu aqui? Onde você se sentiu mais perdido? O que podemos aprender com isso para o futuro?" Essa abordagem, pautada na educação socioemocional, transforma a avaliação em um diálogo sobre estratégias, esforço e desenvolvimento, promovendo a autorregulação e a responsabilidade pelo próprio aprendizado.
Para famílias e escolas, o grande desafio é acolher esses momentos de erro e de notas baixas sem reforçar culpa ou medo. Isso significa criar ambientes seguros onde experimentar e falhar faz parte do jogo. Vamos eliminar frases que rotulam ("Você é burro", "Você nunca aprende") e abraçar perguntas que convidam à reflexão ("O que você faria diferente da próxima vez?", "O que te ajudaria a entender melhor?").
Celebrar o esforço mais do que apenas o resultado final, oferecer apoio prático para revisar o conteúdo e, acima de tudo, manter a crença no potencial de crescimento de cada um, são passos essenciais. Ao fazer isso, não estamos minimizando a importância do conhecimento, mas ensinando que o caminho até ele é repleto de curvas e, muitas vezes, de desvios que nos tornam mais fortes, mais sábios e mais preparados.
Lembrem-se: cada erro é um convite. Cada nota baixa, uma bússola. Acreditem no poder transformador do processo, na coragem de tentar de novo e na beleza de aprender a cada passo. O aprendizado é uma aventura, e como em toda grande aventura, os obstáculos são, na verdade, os degraus que nos levam ao topo. Vamos juntos construir um futuro onde o erro é festejado como parte do florescer humano, e onde cada criança e jovem se sinta capaz de crescer, de brilhar e de reescrever sua própria história!
Daniela Devides, especialista em Educação Socioemocional
e Psicologia Positiva, pós-graduada pela PUCRS, escritora,
palestrante, mantenedora do Colégio Degrau de Araçatuba.




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