FELICIDADE À VENDA?
- Daniela Devides

- 24 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Por que estamos comprando a ideia errada do bem-estar

A felicidade muitas vezes é transformada em um produto. Vemos anúncios que prometem a felicidade através da compra de um carro, de uma viagem, de uma casa maior ou de um novo aparelho tecnológico. As redes sociais nos bombardeiam com vidas aparentemente perfeitas, sorrisos editados e conquistas constantes, criando uma ilusão de que a felicidade é um estado permanente e visível, um troféu a ser exibido. Essa cultura do desempenho nos empurra para uma busca incessante por mais, ou seja, mais sucesso, mais reconhecimento, mais bens materiais, na crença de que "quando eu tiver isso, serei feliz".
Como especialista em educação socioemocional e felicidade, e olhando através das lentes da Psicologia Positiva e da Disciplina Positiva, ouso dizer que estamos, em grande parte, entendendo a felicidade de uma forma que nos afasta dela, ao invés de nos aproximar. A verdade é que a felicidade não é um produto que você compra, um destino que você alcança ou um estado de euforia permanente. Ela é um processo, uma verdadeira caminhada e não um ponto de chegada.
Quando reduzimos a felicidade a um filtro de Instagram ou a uma lista de metas a serem cumpridas, perdemos de vista sua verdadeira essência. Ficamos presos em um ciclo de comparação e insatisfação, sempre perseguindo o próximo "algo" que nos trará a tão almejada alegria, e nos frustramos quando essa emoção é passageira ou quando a realidade não corresponde à imagem idealizada.
A Psicologia Positiva nos oferece uma abordagem muito mais profunda e sustentável. Ela nos convida a olhar para dentro e para as nossas interações com o mundo de uma forma mais consciente e intencional. Ao invés de focar em "o que eu compro para ser feliz?", ela nos pergunta:
Qual é o seu sentido e propósito? O que te move, o que faz você acordar de manhã com um brilho nos olhos é sentir que sua vida tem um significado e que você contribui para algo maior do que você mesmo.
Como estão suas conexões sociais? Somos seres sociais. A qualidade dos nossos relacionamentos, com a família, amigos, comunidade é um dos sinalizadores mais fortes de bem-estar e longevidade.
Você pratica a gratidão? Ser grato pelo que se tem, em vez de focar no que falta, muda nossa perspectiva e nos ajuda a apreciar as pequenas alegrias diárias.
Você cultiva o engajamento e o "flow"? Estar totalmente imerso em uma atividade que desafia suas habilidades e te faz perder a noção do tempo é um estado de felicidade profunda.
Você desenvolve a resiliência? A capacidade de se recuperar de adversidades, aprender com os erros, crescer com eles e seguir em frente é essencial para navegar nos altos e baixos da vida.
A felicidade, sob essa ótica, não é algo que se espera ou se adquire. É algo que se constrói, dia após dia, através de escolhas, atitudes e práticas conscientes. É um processo ativo de cultivo, que exige autoconhecimento e um olhar genuíno para o que realmente nos preenche.
Que tal, a partir de hoje, começarmos a desconstruir essa ideia errônea de felicidade e nos permitirmos ir além da superfície, desafiando a cultura do "estar feliz o tempo todo" e mergulhando na riqueza de uma vida onde todas as emoções são válidas e cada experiência, um degrau para um bem-estar mais autêntico e profundo?
A verdadeira revolução da felicidade começa quando você para de procurá-la nas vitrines e passa a criá-la em sua própria vida, transformando cada instante em uma peça única e valiosa. Você está pronto para começar essa construção?
Daniela Devides, especialista em Educação Socioemocional
e Psicologia Positiva, pós-graduada pela PUCRS, escritora,
palestrante, mantenedora do Colégio Degrau de Araçatuba.




Comentários