MENINAS INABALÁVEIS
- Daniela Devides

- 8 de mar.
- 3 min de leitura
Como construir autoestima e autonomia desde a infância

O Mês da Mulher, mais do que uma data para homenagens, deve ser um incentivador para a reflexão profunda sobre a formação das nossas meninas. É um convite para olharmos além do reconhecimento do presente e mergulharmos na construção de um futuro mais equitativo e empoderador. A verdadeira transformação acontece quando compreendemos que a autoestima, a autonomia e a voz feminina não surgem magicamente na vida adulta, mas sim são construídas desde a primeira infância.
Como educadora e mantenedora de uma escola de ensino básico, reconheço o papel estruturante que esse lugar desempenha nesse contexto. É na escola que muitas vezes as primeiras interações sociais fora do núcleo familiar ocorrem, onde os primeiros desafios são enfrentados e as primeiras percepções sobre o próprio valor começam a se formar. No entanto, é também nesse ambiente que, por vezes, crenças limitantes se instalam sutilmente, mas com grande poder de permanência. Quantas vezes não ouvimos ou reproduzimos frases como "menina comportada não faz isso" ou "não seja mandona"? Essas mensagens, aparentemente inofensivas, podam a espontaneidade, a liderança inata e a capacidade de autoafirmação que são tão cruciais para o desenvolvimento pleno. Quando aplicadas dessa forma, elas erroneamente ensinam, que o espaço da mulher é menor, que sua voz deve ser modulada e sua ambição, contida.
Quebrar esses padrões é um trabalho contínuo e intencional. A escola, ao lado da família, tem o poder de ser um local para o protagonismo feminino desde a infância. Isso se manifesta em incentivar a participação ativa em todas as disciplinas, a expressar opiniões sem medo de julgamento, a assumir posições de liderança em projetos e atividades, e a valorizar a colaboração e a empatia, sem perder a individualidade. É preciso criar ambientes onde a diversidade de personalidades femininas seja celebrada, onde a menina que gosta de programar seja tão incentivada quanto a que ama dançar, e onde a que se expressa com vigor não seja rotulada, mas compreendida e respeitada.
Nesse processo, a Psicologia Positiva surge, mais uma vez, como uma bússola poderosa. Ela nos oferece ferramentas não apenas para identificar, mas para desenvolver as forças de caráter que residem em cada criança. Ao focar em aspectos como coragem, criatividade, curiosidade, gratidão, perseverança e inteligência social, podemos ajudar as meninas a construir uma autoconfiança inabalável. Quando uma criança é encorajada a reconhecer e a usar suas forças, ela desenvolve uma base interna de resiliência que a prepara para os desafios da vida. Aprender a celebrar suas próprias conquistas, a aprender com os próprios erros sem autocrítica excessiva, e a cultivar uma mentalidade de crescimento são pilares para uma vida adulta emocionalmente segura e plena.
É a partir dessa formação integral que capacitamos as meninas a encontrarem e utilizarem sua própria voz, a defenderem seus valores e a perseguirem seus sonhos com determinação. Elas aprendem que ser "comportada" significa ser autêntica e respeitosa, e não silenciosa ou submissa. Elas descobrem que ser "mandona" pode ser, na verdade, ser uma líder visionária e assertiva.
Que possamos, a cada dia, inspirar em nossas meninas a certeza de que elas não são apenas capazes, mas essenciais para moldar um mundo mais justo, empático e vibrante. Que elas saiam de nossas escolas não apenas com diplomas, mas com a convicção profunda de que sua voz importa, sua força é imensa e sua presença é um presente para o mundo e, por fim, que elas saibam que o céu não é o limite, mas apenas o começo!
Daniela Devides, especialista em Educação Socioemocional
e Psicologia Positiva, pós-graduada pela PUCRS, escritora,
palestrante, mantenedora do Colégio Degrau de Araçatuba.




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